Nigéria: "Situação atual da Nigéria é mais perigosa do que durante a guerra civil” PDF Imprimir E-mail
Escrito por Ervino Martinuz   
Ter, 10 de Janeiro de 2012 09:31

Abuja, 10 jan (SIR/Fides) - "A guerra de Biafra tinha raízes étnicas e políticas, os atentados do Boko Haram implicam dimensões étnicas, sociais, políticas, religiosas e também criminosas. Por isso, a situação atual é mais perigosa do que no tempo da guerra civil de Biafra. A dimensão religiosa diz respeito, de fato, à intimidade mais profunda das pessoas. Corre-se o risco de apelar aos instintos mais irracionais do homem", afirma à Agência Fides Dom Ignatius Ayau Kaigama, Arcebispo de Jos, comentando as declarações feitas ontem, 8 de janeiro, pelo Presidente Goodluck Jonathan. "A situação atual é até mesmo pior do que na guerra civil", afirmou o Chefe de Estado nigeriano, referindo-se à guerra pela secessão de Biafra (1967-70), que provocou um milhão de mortos. "Durante a guerra civil, se podia conhecer até mesmo da qual parte provinha o inimigo... mas o desafio que devemos enfrentar hoje é mais complicado", disse Jonathan, que denunciou a cumplicidade com os membros da seita Boko Haram nas forças de segurança e no exército. Os recentes atentados em diversas regiões no norte da Nigéria atingiram as comunidades cristãs locais, provocando a fuga dos cristãos. "No momento, não me parece que exista um maciço movimento de cristãos do norte, com exceção nas áreas onde diversas pessoas foram mortas, nas quais a violência foi muito intensa", disse Dom Kaigama. "Nessas áreas, os cristãos, especialmente os originários do sul, como as populações Ibo, estão profundamente ansiosas e estão se organizando para voltarem às regiões de origem". Dom Kaigama se declara preocupado porque também os muçulmanos que vivem no sul sentem o clima de violência. "Acabo de voltar de uma visita no sul da Nigéria. Também ali os muçulmanos, que são originários do norte, estão profundamente preocupados e estão se preparando para voltar para o norte". "Trata-se, na minha opinião, de algo muito perigoso. O governo deve agir com decisão para deter as violências e reconstruir um clima de segurança e confiança recíproca para todo nigeriano que vive em qualquer parte do país", conclui o Arcebispo de Jos.