Comentário ao Evangelho de Mateus 12, 46-50 PDF Imprimir E-mail
Escrito por Ervino Martinuz   
Dom, 20 de Novembro de 2011 17:43
• A família de Jesus. Os parentes chegam à casa onde Jesus se encontra. Provavelmente chegam de Nazaré, Até Cafarnaum são uns 40 quilômetros de distância. Também a mãe está com eles. Não entram, mas mandam uma mensagem: Tua mãe, teus irmãos e tuas irmãs estão aí fora e estão à tua procura! A reação de Jesus é clara: Quem é minha mãe, quem são os meus irmãos? E ele mesmo responde fixando com o olhar as pessoas que estavam ao seu redor: Eis minha mãe e meus irmãos! Para entender bem o significado desta resposta de Jesus é bom ter uma idéia clara da situação da família na época de Jesus. • No antigo Israel, o clã, isto é, a grande família (a comunidade), era a base da convivência social. Era a proteção das famílias e das pessoas a garantia da posse da terra, o sistema principal da tradição a defesa da identidade. Era o modo concreto por parte das pessoas daquela época de encarnar o amor de Deus e o amor ao próximo. Defender o clã era o mesmo que defender a Aliança. • Na Galileia do tempo de Jesus, por causa do sistema implantado durante os longos anos de governo de Herodes o Grande (37 a.C. a 4 a.C.) e de suo filho Herodes Antipa (4 a.C. a 39 d.C.), o clã (a comunidade) estava se enfraquecendo. Os impostos a serem pagos, seja ao governo como ao templo, as dívidas em aumento, a mentalidade individualista da ideologia helenista, as freqüentes ameaças de repressão violenta dos romanos e a obrigação de receber os soldados e lhes dar hospitalidade, os problemas cada vez maiores de sobrevivência, tudo isto levava as famílias a se fecharem em si mesmas e a pensar como iriam satisfazer suas necessidades. Este fechamento era ainda reforçado pela religião da época. Por exemplo, que dedicava sua herança ao Templo, podia deixar seus pais sem ajuda. Isto enfraquecia o quarto mandamento que era a espinha dorsal do clã (Mc 7,8-13). Além disso, a observância das normas de pureza era um fato de marginalização para muitas pessoas: mulheres, crianças, samaritanos, estrangeiros, hansenianos, endemoninhados, publicanos, doentes, deficientes físicos... • E assim, a preocupação com os problemas da própria família impedia às pessoas de se reunir em comunidade. Pois bem para que pudesse se manifestar o Reino de Deus na convivência comunitária das pessoas, elas deviam superar os limites fechados da pequena família e se abrir novamente à grande família, à comunidade. Jesus deu o exemplo. Quando sua família tentou se re-apropriar dele, reagiu e ampliou a família: “Quem é minha mãe e quem são meus irmãos? E ele mesmo respondeu estendendo a mão para a multidão: Eis minha mãe e meus irmãos! Pois todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe (Mt 12, 49). Criou comunidade. • Jesus pediu o mesmo a todos aqueles que queriam segui-lo. As famílias não podiam se fechar em si mesmas. Os excluídos e os marginalizados deviam ser aceito na convivência e assim se sentirem acolhidos por Deus (cfr. Lc 14,12-14). Este era o caminho para alcançar o objetivo da Lei de Deus que dizia: “Não deverá existir nenhum necessitado entre vós” (Dt 15,4). Como os grandes profetas do passado, Jesus busca consolidar a vida comunitárias nas aldeias da Galileia. Resgatar o sentido profundo do clã, da família, da comunidade, como expressão da encarnação do amor a Deus e ao próximo. Para uma avaliação pessoal • Viver a fé na comunidade. Que lugar tem e que influência tem a comunidade na minha maneira de viver a fé? • Hoje, na grande cidade, a massificação promove o individualismo que é contrário à vida em comunidade. O que estou fazendo para combater este mal?