Comentário ao Evangelho de Lucas 18, 1-8 PDF Imprimir E-mail
Escrito por Ervino Martinuz   
Sex, 11 de Novembro de 2011 17:37
• O evangelho de hoje traz um elemento muito querido a Lucas: a oração. É a segunda vez que Lucas cita as palavras de Jesus para nos ensinar a rezar. A primeira vez (Lc 11,1-13), nos ensina o Pai Nosso e, através de comparações e parábolas, ensinou que devemos rezar com insistência, sem jamais nos cansarmos. Agora esta segunda vez (Lc 18,1-8), utiliza novamente uma parábola tirada da vida para ensinar a constância na oração. É a parábola da viúva que importuna o juiz sem moral. A maneira de apresentar a parábola é muito didática. Em primeiro lugar, Lucas apresenta uma breve introdução que serve como chave de leitura. Depois conta a parábola. No final, o próprio Jesus a explica. • Lucas 18,1: A introdução. Lucas apresenta a parábola com a seguinte frase: “Naquele tempo, Jesus contou aos discípulos uma parábola, para mostrar-lhes a necessidade de rezar sempre e nunca desistir”. A recomendação de “rezar sem desistir” aparece muitas vezes no Novo Testamento (1 Ts 5,17; Rm 12,12; Ef 6,18; etc.). E é uma característica da espiritualidade das primeiras comunidades cristãs. • Lucas 18,2-5: A parábola. Em seguida Jesus apresenta duas personagens da vida real: um juiz sem alguma consideração por Deus e sem consideração pelos outros, e uma viúva que luta pelos seus direitos junto ao juiz. O simples fatos de indicar estas duas personagens revela a consciência crítica que Jesus tinha da sociedade de seu tempo. A parábola apresenta pessoas pobres que lutam no tribunal para obter seus direitos. O juiz decide dar atenção à viúva e de faze justiça. O motivo é este: para se livrar da viúva impertinente e não ser mais incomodado por ele. Motivo de interesse pessoal. Mas a viúva obtém o que quer! Eis um fato de vida cotidiana, que Jesus utiliza para ensinar a rezar. • Lucas 18,6-8: A aplicação. Jesus aplica a parábola: “Escutai o que diz este juiz injusto. E Deus não fará justiça ao seus escolhidos, que dia e noite gritam por ele? Será que vai fazê-los esperar? Eu vos digo que Deus lhes fará justiça bem depressa”. Se não fosse Jesus, nós não teríamos tido a coragem de comparar Jesus a um juiz desonesto! E no final Jesus levanta uma dúvida: “Mas o Filho do homem, quando vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?” Ou seja, teremos a coragem de esperar, de ter paciência, também se Deus tarda em realizar o que lhe pedimos? • Jesus em oração. Os primeiros cristãos tinham uma imagem de Jesus em oração, em contato permanente com o Pai. De fato, o respiro da vida de Jesus é realizar a vontade do Pai (Jo 5,19). Jesus rezava muito e insistia para que as pessoas e os seus discípulos rezassem. Porque é se confrontando com Deus que aparece a verdade e que a pessoa encontra a si mesma em toda sua realidade e humildade. Luca é o evangelista que mais nos informa sobre a vida de oração de Jesus. Apresenta Jesus em constante oração. Eis os momentos em que Jesus aparece em oração. Tu, vós podeis completar a lista: - Aos doze anos, vai ao Templo, a Casa do Pai, e reza (Lc 2,46-50). - Reza quando é batizado e assume a missão (Lc 3,21). - No início da missão, passa quarenta dias no deserto (Lc 4,1-2). - Na hora da tentação, enfrenta o diabo com os textos da Escritura (Lc 4,3-12). - No sábado Jesus tem o costume de participar das celebrações nas sinagogas (Lc 4,16). - Busca a solidão do deserto para rezar (Lc 5,16; 9,18). - Às vésperas da escolha dos doze Apóstolos, passa a noite em oração (Lc 6,12). - Reza antes das refeições (Lc 9,16; 24,30). - Reza antes da sua paixão e de enfrentar a realidade (Lc 9,18). - Na crise, sobe ao monte para rezar e é transfigurado enquanto reza (Lc 9,28). - Quando o Evangelho é revelado aos pequenos, diz: “Pai eu te agradeço!” (Lc 10,21) - Rezando, desperta nos apóstolos a vontade de rezar (Lc 11,1). - Reza por Pedro para que sua fé não enfraqueça (Lc 22,32). - Celebra a Ceia Pascal com seus discípulos (Lc 22,7-14). - No Jardim das Oliveiras, reza, também transpirando sangue (Lc 22,41-42). - Na angústia da agonia, pede aos seus amigos que rezem com Ele (Lc 22,40.46). - Na hora de ser pregado na cruz, pede perdão pelos malvados (Lc 23,34). - Na hora da morte, diz: “Em tuas mãos, entrego meu espírito!” (Lc 23,46; Sal 31,6) - Jesus falece lançando o grito do pobre (Lc 23,46). • Esta longa lista indica quanto segue. Para Jesus a oração está intimamente ligada à vida, aos fatos concretos, às decisões que devia tomar. Para poder ser fiel ao projeto do Pai, procurava ficar a sós com Ele. Ouvia-O. Nos momentos difíceis de sua vida, Jesus rezava os Salmos. Como todo piedoso judeu, conhecia-os de cor. A reza dos Salmos não apagou nele a criatividade. Aliás ele mesmo criou um Salmo que nos transmitiu: o Pai Nosso. A vida dele é uma oração permanente: “Busco sempre a vontade daquele que me enviou!” (Jo 5,19.30). A ele se aplica o que diz o Salmo: “Eu sou oração!” (Sal 109,4) Para uma avaliação pessoal • Há pessoas que afirmam não saber rezar, mas falam com Deus todo dia! Tu conheces pessoas assim? Conta. Existem muitas maneiras com que hoje as pessoas expressam sua devoção e reza. Quais são? • O que nos ensinam estas duas parábolas sobre a oração? O que me ensinam sobre minha maneira de ver a vida e as pessoas?