Comentário ao Evangelho de Lucas 13, 1-9 PDF Imprimir E-mail
Escrito por Ervino Martinuz   
Sex, 21 de Outubro de 2011 18:22

• O evangelho de hoje nos dá informações que só se encontram no evangelho de Lucas e não tem passagens paralelas nos outros evangelhos. Estamos meditando a longa caminhada da Galileia até Jerusalém que interessa quase a metade do evangelho de Lucas, do capítulo 9 ao capitulo 19 (Lc 9,51 a 19,28). Nesta parte Lucas insere a maioria das informações que conseguiu reunir sobre a vida e o ensino de Jesus (Lc 1,1-4).

• Lucas 13,1: O evento que pede uma explicação. “Naquele tempo, vieram algumas pessoas trazendo notícias a Jesus a respeito dos galileus que Pilatos tinha matado, misturando seu sangue com o dos sacrifícios que ofereciam”. Quando lemos os jornais ou quando assistimos às notícias na TV, recebemos muitas informações, mas nem sempre entendemos todo seu significado. Ouvimos tudo, mas não sabemos o que fazer com tantas informações e com tantas notícias. Notícias terríveis com os tsunamis, os terremotos, o terrorismo, as guerras, a fome, a violência, os crimes, os atentados, etc. Assim chegou a Jesus a notícias do horrível massacre que Pilatos, governador romano, tinha mandado executar com alguns peregrinos galileus. E alguém se pergunta: “O que devo fazer” para acalmar a consciência, muitos se defendem e afirmam: “A culpa é deles! Não trabalham! É gente preguiçosa!” Na época de Jesus, as pessoas se defendiam dizendo: “É um castigo de Deus por causa dos pecados!” (Jo 9,2-3). Há séculos se dizia: “Os galileus eram pecadores. A Galileia é terra de pagãos!”

• Lucas 13,2-3: A resposta de Jesus. Jesus tem uma opinião diferente. “Vós pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus por terem sofrido tal coisa? Eu vos digo que não. Mas, se vós não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo”. Jesus ajuda as pessoas a ler os fatos com um olhar diferente e a tirar uma conclusão para suas vidas. Afirma que não foi um castigo de Deus. Pelo contrário. “Se não vos converterdes, ireis morrer todo do mesmo modo!” Convida à conversão e à mudança.

• Lucas 13,4-5: Jesus comenta outro fato. “E aqueles dezoito que morreram, quando a torre de Siloé caiu sobre eles? Pensais que eram mais culpados do que todos os outros moradores de Jerusalém?” Deve ter sido um desastre que chocou a cidade toda. Um violento temporal derrubou a torre de Siloé, matando dezoito pessoas que tinham se refugiado nela. O comento normal era: “Castigo de Deus!” Jesus repete: “Eu vos digo que não. Mas, se não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo!”. Eles não se converteram, não mudaram, e quarenta anos depois Jerusalém foi destruía e muitos morreram no Templo como os galileus e muitas outras pessoas morreram debaixo dos escombros dos muros da cidade. Jesus procurou prevenir, mas o pedido de paz não foi ouvido: “Jerusalém, Jerusalém!” (Lc 13,34). Jesus ensina a descobrir os apelos nos acontecimentos da vida de todo dia.

• Lucas 13,6-9: Uma parábola pra ajudar as pessoas a pensar e a descobrir o projeto de Deus. “Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi lá procurar figos e não encontrou. Então disse ao agricultor: ‘Já faz três anos que venho procurando figos nesta figueira e nada encontro. Corta-a! Para que está ocupando inutilmente a terra?’ Ele, porém, respondeu: ‘Senhor, deixa-a ainda este ano. Vou cavar em volta e pôr adubo. Pode ser que venha a dar fruto. Se não der, então a cortarás”. Muitas vezes, a vinha (ou o pomar) é utilizada para indicar o afeto que Deus manifesta a seu povo, ou para indicar a falta de correspondência por parte das pessoas ao amor de Deus (Is 5,1-7; 27,2-5; Jr 2,21; 8,13; Ez 19,10-14; Os 10,1-8; Mq 7,1; Jo 15,1-6). Na parábola, o dono da vinha (ou do pomar) é Deus Pai. O agricultor que intercede pela vinha (ou a figueira) é Jesus. Insiste com o Pai para ampliar o espaço de tempo para a conversão.

 

 

Para a uma avaliação pessoal

 

• O povo de Deus, a vinha de Deus. Eu encontro-me em meio a esta vinha. Aplico para mim a parábola. Que conclusões tiro?

• O que faço com as notícias que recebo? Procuro ter uma opinião crítica, ou continuo a ter a mesma opinião da maioria e dos meios de comunicação?