Comentário ao Evangelho de Lucas 11,29-32 PDF Imprimir E-mail
Escrito por Ervino Martinuz   
Dom, 09 de Outubro de 2011 18:42

• O evangelho de hoje nos apresenta uma acusação muito forte de Jesus contra os fariseus e os escribas. Queriam que Jesus lhes mostrasse um sinal, porque não acreditavam nos sinais e nos milagres que estava realizando. Esta acusação de Jesus continua nos evangelhos dos próximos dias. Meditando estes evangelhos devemos fazer muita atenção a não generalizar a acusação de Jesus como fosse dirigida ao povo hebreu. No passado a ausência desta atenção, contribuiu infelizmente para aumentar em nós cristãos o anti-semitismo que causou tantos males à humanidade ao longo dos séculos. El lugar de levantar o dedo contra os fariseus do tempo de Jesus, é melhor espelharmo-nos nos textos para descobrir neles o fariseu que vive escondido em nossa igreja e em cada um de nós, e que merece esta crítica pro parte de Jesus.

• Lucas 11,29-30: O sinal de Jonas. “Naquele tempo, enquanto a multidão se apinhava, Jesus começo dizendo: ‘Esta geração é uma geração perversa; ela procura um sinal, mas não lhe será sinal algum a não ser o sinal de Jonas’”. O evangelho de Mateus informa que eram os fariseus e os escribas os que pediam um sinal (Mt 12,38). Queriam que Jesus realizasse para eles um final, um milagre, de modo que pudesses ter a prova irrefutável se era o enviado de Deus, como eles o imaginavam. Queriam que Jesus se submetesse aos critérios deles. Queriam inseri-lo no esquema do messianismo deles. Neles não havia uma qualquer abertura para para uma possível conversão. Mas Jesus não se submeteu a este pedido. O evangelho de Marcos afirma que Jesus, diante dos pedidos dos fariseus, suspirou profundamente (Mc 8,12), provavelmente de desgosto e de tristeza diante de tamanha cegueira. Porque de nada serve apresentar um quadro muito bonito a quem não quer abrir os olhos. O único sinal que será dado é o sinal de Jonas. “Porque como Jonas foi um sinal para os ninivitas, assim também o Filho do homem o será para esta geração”. Como será este sinal do Filho do homem? O evangelho de Mateus responde: “De fato, como Jonas ficou três dias e três noites no ventre do peixe, assim o Filho do Homem ficará três dias e três noites no ventre da terra” (Mt 12,40). O único sinal será a ressurreição de Jesus. Este é um sinal que, no futuro, será dado aos escribas e aos fariseus. Jesus, condenado a morte e a uma morte de cruz, será ressuscitado por Deus e continuará a ressuscitar de muitas maneiras naqueles que acreditam nele. O sinal que converte não são os milagres, mas o testemunho de vida!

• Lucas 11,31: Salomão e a rainha do Sul. A alusão à conversão do povo de Nínive associa e lembra a conversão da Rainha de Sabá: “A rainha do sul levantar-se-á no juízo junto com os homens desta geração e os condenará; porque ela veio da extremidade da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E eis, aqui está alguém mais que Salomão!” Esta lembrança quase ocasional do fato da Rainha de Sabá que reconhece a sabedoria de Salomão, faz ver como era utilizada naquele tempo a Bíblia. Era por associação. A regra principal da interpretação era esta: “A Bíblia se explica com a própria Bíblia”. Até hoje, esta é uma das normas mais importantes para a interpretação da Bíblia, sobretudo para a Leitura da Palavra de Deus num clima de oração.

• Lucas 11,32: E eis aqui alguém mais que Jonas. Depois da digressão sobre Salomão e sobre a Rainha de Sabá, Jesus volta a falar sobre o sinal de Jonas: “O povo de Nínive se levantará no juízo junto com esta geração e a condenará: porque ele à pregação de Jonas se converteu”. Os habitantes de Nínive se converteram diante do testemunho da pregação de Jonas e denunciam a incredulidade dos escribas e dos fariseus. Porque “aqui esta alguém mais do que Jonas”. Jesus é maior que Jonas, mais que Salomão. Para nós cristãos, é a chave principal da escritura (2Cor 3,14-18).

 

 

Pra uma avaliação pessoal

 

• Jesus critica os escribas e os fariseus que conseguiam negar a evidência, tornando-se incapazes de reconhecer o chamado de Deus nos acontecimentos. E nós cristãos hoje, e eu: merecemos a mesma crítica de Jesus?

• Nínive se converte à pregação de Jonas. Os escribas e os fariseus não se converteram. Hoje os apelos da realidade provocam mudanças e conversões nos povos do mundo inteiro: a ameaça ecológica, a urbanização que desumaniza, o consumismo que massifica e aliena, as injustiças, as violência, etc. Muitos cristãos vivem distante destes apelos de Deus que nascem da realidade.