Comentário ao Evangelho de Mateus 23, 1-12 PDF Imprimir E-mail
Escrito por Ervino Martinuz   
Sex, 19 de Agosto de 2011 18:23
• O evangelho de hoje faz parte de uma longa crítica de Jesus contra os escribas e fariseus (Mt 23,1-39). Lucas e Marcos apresentam só alguns traços desta crítica contra os chefes religiosos da época. Só o evangelho de Mateus a apresenta mais detalhadamente. Este texto tão severo deixa perceber a polêmica das comunidades de Mateus com as comunidades dos judeus daquela época na Galileia e na Síria. • Lendo estes textos fortemente contrários aos fariseus devemos prestar muita atenção a não sermos injustos contra o povo hebreu. Nós cristãos, durante séculos, assumimos atitudes contra os judeus e, por isto, contra a fraternidade e a misericórdia. O que importa meditando estes textos é descobrir seu objetivo: Jesus condena a falta de coerência e a falta de sinceridade na relação com Deus e com o próximo. Ele está falando da hipocrisia tanto a de ontem como a nossa, hoje! • Mateus 23,1-3: O erro fundamental: dizem, mas não fazem. Jesus se dirige à multidão e aos discípulos e critica os escribas e os fariseus. O motivo do ataque é a incoerência entre as palavras e os fatos. Falam e não praticam. Jesus reconhece a autoridade e o conhecimento dos escribas. “Na cátedra de Moisés se assentaram os escribas e os fariseus. O que eles dizem, fazei-o e observai-o, mas não pratiqueis suas obras, porque dizem e não fazem!” • Mateus 23,4-7: O erro fundamental se manifesta de muitas maneiras. O erro fundamental é a incoerência: “Dizem, mas não fazem”. Jesus aponta os vários pontos que revelam a incoerência. Alguns escribas obrigavam as pessoas a obedecer a normas pesadas. Eles conheciam bem as leis, porém, não as praticavam, nem usavam o conhecimento deles para aliviar o peso sobre as costas das pessoas. Faziam tudo para serem vistos e elogiados, usavam até mesmo túnicas especiais na hora da oração, eles gostavam dos primeiros lugares em público. Queriam ser chamados “Mestre”. Representavam um tipo de comunidade que mantinha, legitimava e alimentava as diferenças de classe e de posição social. Legitimava os privilégios dos grandes e a posição inferior dos pequenos. Ora se existe algo que a Jesus desagrada é aparência que engana. • Mateus 23,8-12: Como combater o erro fundamental. Como deve ser uma comunidade cristã? Todas as tarefas comunitárias devem ser assumidas como um serviço: “O maior entre vós seja o vosso servo!” A ninguém deveis chamar Mestre (Rabino), nem Pai, em Guia. Porque a comunidade de Jesus deve manter, legitimar e alimentar não as diferenças, mas a fraternidade. Esta é a lei fundamental: “Vós todos sois irmãos e irmãs!” A fraternidade nasce da experiência de Jesus de Deus Pai e que torna todos nós irmãos e irmãs. “Quem se levanta será abaixado e quem se abaixa será levantado”. • O grupo dos Fariseus. O grupo dos fariseus nasce no II século antes de Cristo, com a proposta de uma observância mais perfeita da Lei de Deus, sobretudo das prescrições sobre a pureza. Eles eram mais abertos às novidades do que os Saduceus. Por exemplo, aceitavam a fé na ressurreição e a fé nos anjos, oq eu os Saduceus não aceitavam. A vida dos fariseus era um testemunho exemplar: rezavam r estudavam a lei durante oito horas por dia; trabalhavam durante oito horas para sobreviver; e descansavam por oito horas. Por isto eram muito respeitados pelo povo. E assim ajudavam as pessoas a conservar a própria identidade e a não perdê-la com o passar dos séculos. • A mentalidade chamada farisaica. Com o tempo, os fariseus se agarram ao poder, e não ouvem mais os apelos das pessoas, nem as deixam falar. A palavra “fariseu” significa “separado”. A observância era tão severa e rigorosa que foram se afastando do reto do povo. Por isso foram chamados “separados”. Por causa disso nasce a expressão “mentalidade farisaica”. É típica das pessoas que pensam conquistar a justiça mediante uma observância rígida e rigorosa da Lei de Deus. Geralmente, são pessoas que tem medo, que não tem a coragem de assumir o risco da liberdade e da responsabilidade. Elas se escondem atrás da lei e da autoridade. Quando estas pessoas conseguem um posto importante, tornam-se duras e insensíveis para esconder a própria imperfeição. • Rabino, Guia, Mestre, Pai. São os quatro títulos que Jesus proíbe às pessoas de usar. Hoje, na Igreja, os sacerdotes são chamados de “padre”. Muitos estudam em universidades da Igreja e obtem o título de “Doutor” (mestre). Muitas pessoas realizam direção espiritual e se aconselham com pessoas que são chamadas “Diretor espiritual" (guia). O que importa é lembrar o motivo que leva Jesus a proibir o uso destes títulos. Se fossem usados pela pessoa para afirmar sua posição de autoridade e seu poder, esta pessoa estaria no erro e seria criticada por Jesus. Se fossem usados para alimentar e aprofundar a fraternidade e o serviço, não seriam criticados por Jesus. Para uma avaliação pessoal • Quais são os motivos que tenho para viver e trabalhar em comunidade? • A comunidade, como me ajuda e corrigir e melhorar minhas motivações?