Comentário ao Evangelho de Mateus 11, 25-27 PDF Imprimir E-mail
Escrito por Ervino Martinuz   
Ter, 12 de Julho de 2011 18:31

• O evangelho de hoje é formado só por três versículos (Mt 11, 25-27) que fazem parte de uma breve unidade literária, uma das mais bonitas, em que Jesus agradece o Pai por ter revelado a sabedoria do Reino aos pequenos e porque a esconde aos doutos e sábios (Mt 11,25-30). No breve comentário que seque incluiremos toda a unidade literária.

• Mateus 11,25-26: Só os pequenos aceitam e compreendem a Boa Nova do Reino. Jesus reza uma oração: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos”. Os sábios, os doutos da época, criaram um sistema de leis que impunham ao povo em nome de Deus (Mt 23,3-4). Eles pensavam que Deus exigia das pessoas estas observâncias. Mas a lei do amor que Jesus nos revelou, afirma o contrário. O que importa pata nos salvar, não é o que fazemos para Deus, mas o que Deus, em seu grande amor, realiza em nosso favor! Deus quer misericórdia e não sacrifícios (Mt 9,13). O povo simples e pobre entendia isso nas palavras de Deus e ficava feliz. Os sábios diziam que Jesus estava no erro. Não conseguiam entender o ensinamento dele. “Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado!”. Agrada ao Pai que os pequenos entendam a mensagem do Reino e que os sábios e os doutos não entendam! Se eles quiserem entender, devem se tornar alunos pequenos, simples! Esta maneira de pensar e de ensinar não agrada quem se sente superior aos outros porque muda as regras de convivência de quem está por cima!

• Mateus 11,27: A origem da nova Lei: “o Filho conhece o Pai”. O que o Pai quis nos dizer o entregou a Jesus, e Jesus o revela aos pequenos, para que estes se abram à sua mensagem. Jesus o Filho, conhece o Pai. Ele sabe o que o Pai queria nos comunicar, quando séculos atrás, entregou sua Lei a Moisés. Também hoje, Jesus está ensinando muitas coisas aos pobres e aos pequenos e, através deles, a toda a sua Igreja.

• Mateus 11,28-30: O convite de Jesus válido até hoje. Jesus convida todos aqueles que estão cansados a irem até ele, e ele promete descanso. Nas comunidades atuais, nós deveríamos ser a continuação deste convite que Jesus dirige às pessoas cansadas e oprimidas pelo peso da observância exigida pela lei da pureza. Ele afirma: “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração”. Muitas vezes, esta frase foi manipulada para pedir às pessoas submissão, mansidão e passividade. Jesus quer dizer o contrário. Pede às pessoas para não ouvirem “os sábios e os inteligentes”, os professores da religião da época e começar a apreender dele, de Jesus, uma pessoa vinda do interior da Galileia, sem instrução superior, que se apresenta “manso e humilde de coração”. Jesus não faz como os escribas que se exaltam com sua ciência, mas se coloca ao lado das pessoas espezinhadas e humilhadas. Jesus, o novo mestre, sabe por experiência o que se dá no coração do povo que sofre. Ele viu isso de perto e fez experiência em seus trinta anos de vida em Nazaré.

• Como Jesus coloca em prática o que ensinou no Discurso da Montanha. Jesus tem uma paixão: anunciar a Boa Nova do Reino. Paixão pelo Pai e pelas pessoas pobres e abandonadas de sua terra. Aí onde Jesus encontrava pessoas que o escutavam, Jesus transmitia a Boa Nova. Em qualquer lugar. Nas sinagogas durante a celebração da Palavra (Mt 4,23). Nas casas dos amigos (Mt 13,36). Andando pelas estradas com os discípulos (Mt 12,1-8). Às margem do lago (=mar), sentado num barco (Mt 13,1-3). Na montanha, onde proclamou as bem-aventuranças (Mt 5,1). Nas praças e nas cidades onde as pessoas lhe traziam os doentes (Mt 14,34-36). Também no Templo de Jerusalém, durante as romarias (Mt 26,55)! Em Jesus, tudo é revelação daquilo que carrega dentro de si! Não só anunciava a Boa Nova do Reino. Ele mesmo era e continua sendo um sinal vivo do Reino. Nele aparece evidente o que acontece quando um ser humano deixa que Deus reine em sua vida. O evangelho de hoje revela a ternura com que Jesus acolhe os pequenos. Ele queria que eles encontrassem repouso e paz. Por esta sua escolha, pelos pequenos e excluídos, Jesus foi criticado e perseguido. Sofreu muito! O mesmo acontece hoje. Quando uma comunidade tenta se abrir e ser lugar de acolhida e de consolação para os pequenos e os excluídos de hoje que são os meninos de rua, os drogados, os ex-presidiários, muitas pessoas não são de acordo e criticam.

 

 

Para um confronto pessoal

 

• Já fizeste a experiência do repouso prometido por Jesus?

• Como podem, as palavras de Jesus ajudar a nossa comunidade a ser lugar de repouso para as nossas vidas?