Comentário do Evangelho de João 17, 20-26 PDF Imprimir E-mail
Escrito por Ervino Martinuz   
Qua, 08 de Junho de 2011 18:58

• O evangelho de hoje nos apresenta a terceira e última parte da Oração Sacerdotal, em que Jesus olha para o futuro e manifesta seu grande desejo de unidade entre nós, seus discípulos, e a permanência de todos no amor que unifica, porque sem amor e nem unidade não merecemos credibilidade.

• João 17,20-23: Para que o mundo acredite que tu me enviaste. Jesus amplia o horizonte e reza ao Pai: “Não rogo somente por eles, mas também por aqueles que vão crer em mim pela tua palavra; para que todos sejam um como tu, Pai, está em mim e eu em ti e para que eles estejam em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste”. Eis que aqui aparece a grande preocupação de Jesus pela unidade que deve existir nas comunidades. Unidade não significa uniformidade, mas sim permanecer no amor, apesar das tensões e dos conflitos. Amor que unifica até ao ponto de criar entre tosos uma profunda unidade, como a unidade que existe entre Jesus e o Pai. A unidade no amor revelada na Trindade é o modelo para as comunidades. Por isso, através do amor entre as pessoas, as comunidades revelam ao mundo a mensagem mais profunda de Jesus. As pessoas diziam dos primeiros cristãos: “Olhem como se amam!”. A atual divisão entre as três religiões nascidas de Abraão é realmente trágica: judeus, cristãos e muçulmanos. Mais trágica ainda é a divisão entre nós cristãos que afirmamos acreditar em Jesus. Divididos, não merecemos a credibilidade. O ecumenismo está no centro da última oração de Jesus ao Pai. É o testamento dele. Ser cristão e não ser ecumênico é uma contradição. Quer dizer contradizer a última vontade de Jesus.

• João 17,24-26: Que o amor com o qual me amaste esteja neles. Jesus não quer ficar só. Afirma: “Pai, aqueles que me deste, quero que estejam comigo onde eu estiver, para que eles contemplem a minha glória, glória que tu me deste porque me amaste antes da fundação do universo”. Jesus está feliz quando todos nós estivermos com ele. Ele quer que os discípulos tenham a mesma experiência que ele teve com o Pai. Quer que nós conheçamos o Pai e que Ele nos conheça. Na Bíblia, a palavra conhecer não se reduz a um conhecimento teórico e racional, mas pressupõe experimentar a presença de Deus vivendo o amor com as pessoas da comunidade.

• Que sejam um como nós! (Unidade e Trindade no evangelho de João). O evangelho de João nos ajuda a compreender o mistério da Trindade, a comunhão entre as pessoas divinas: o Pai, o Filho e o Espírito. Entre os quatro evangelhos João é aquele que mais acentua a profunda unidade entre Pai, Filho e Espírito. Através do texto de João (Jo 17,6-8) percebemos que a missão do Filho é a suprema manifestação do amor do Pai. E esta unidade entre Pai e Filho leva Jesus a proclamar: Eu e o Pai somos um (Jo 10,30). Entre ele e o Pai existe uma unidade tão intensa a ponto que quem vê o rosto de um vê também o rosto do outro. E realizando esta missão de unidade recebida do Pai, Jesus revela o Espírito. O Espírito da Verdade vem do Pai (Jo 15,26). A pedido do Filho (Jo 14,16), o Pai o envia a cada um de nós para que fique conosco, animando-nos e dando-nos força. Também o Espírito nos chega através do Filho (Jo 16,7-8). Assim o Espírito da Verdade, que caminha conosco, é a comunicação da profunda unidade que existe entre o Pai e o Filho (Jo 15,26-27). O Espírito não pode comunicar uma verdade diferente da Verdade do Filho. Tudo o que se relaciona com o mistério do Filho, o Espírito no-lo dá a conhecer (Jo 16,13-14). Esta experiência de unidade em Deus foi muito forte nas comunidades do Discípulo Amato. O amor que une as pessoas divinas Pai e Filho e Espírito nos permite experimentar Deus através da união com as pessoas numa comunidade de amor. Também esta deveria ser a proposta da comunidade, onde o amor dever ser o sinal da presença de Deus no meio da comunidade (Jo 13,34-35). E este amor constitui a unidade na comunidade (Jo 17,21). Eles olhavam a unidade em Deus para poder entender a unidade entres eles.

 

 

Para uma avaliação pessoal

 

• Afirmava dom Pedro Casaldáliga: "A Trindade é realmente a melhor comunidade”. Na comunidade da qual fazes parte, percebe-se algum reflexo humano da Trindade Divina?

• Ecumenismo. Sou ecumênico?