Liurgia Diária e Comentário ao Evangelho 31/07 PDF Imprimir E-mail
Escrito por Ervino Martinuz   
Sex, 30 de Julho de 2010 20:54
Dia 31 – sábado – SÃO INÁCIO DE LOYOLA, sacerdote, fundador(branco, prefácio comum ou dos pastores – ofício da memória) Nota históricaInácio nasceu no castelo de Loyola, no nordeste da Espanha em 1491. Tentou ganhar fortuna e fama vestindo a farda militar. Foi ferido durante o assédio de Pamplona pelas tropas francesas em 1521. Foi numa cama de hospital que, lendo a vida de Cristo, foi avaliando sua vida e decidiu deixar a carreira militar para se colocar no seguimento de Jesus. Fundou em Montmartre, Paris, em 1534, a Companhia de Jesus (Jesuítas) para a maior glória de Deus e ao serviço da Igreja, numa total obediência ao sucessor de Pedro. Sua experiência espiritual está condensada nos «Exercícios Espirituais», obra escrita por ele em Manresa (1523) que se tornaram um clássico roteiro de itinerário espiritual de perfeição. Foi grande incentivador da catequese, da educação cristã (através dos colégios) e do apostolado missionário e teve entre os seus companheiros o «apóstolo do Oriente» são Francisco Xavier. Faleceu em Roma a 31 de julho e 1556.  Antífona da entradaAo nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e nos abismos; e toda língua proclame, para glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é Senhor (Fl 2, 10).  Oração do diaÓ Deus, que suscitastes em vossa Igreja santo Inácio de Loiola para propagar a maior glória do vosso nome, fazei que, auxiliados por ele, imitemos seu combate na terra, para partilharmos no céu sua vitória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.  Leitura – Jeremias 26, 11-16.24Parece se ouvir já nos juízes do profeta o que os sumos sacerdotes vão dizer no processo contra Jesus: «Este home merece a condenação à morte porque profetizou contra esta cidade». Mas o profeta não tem medo: ele anunciou a Palavra de Deus e dirigiu um acalorado apelo à conversão: «Mudai vossa conduta»; «o Senhor realmente me enviou». Quanto ao resto este está nas mãos de Deus.  Leitura do livro do profeta Jeremias – Naqueles dias, 11os sacerdotes e profetas dirigiram-se aos chefes e a todo o povo, dizendo: “Este homem foi julgado réu de morte, porque profetizou contra esta cidade, como ouvistes com vossos ouvidos”. 12Disse Jeremias aos dignitários e a todo o povo: “O Senhor incumbiu-me de profetizar para esta casa e para esta cidade através de todas as palavras que ouvistes. 13Agora, portanto, tratai de emendar a vossa vida e as obras, ouvi a voz do Senhor vosso Deus, que ele voltará atrás da decisão que tomou contra vós. 14Eu estou aqui, em vossas mãos; fazei de mim o que vos parecer conveniente e justo, 15mas ficai sabendo que, se me derdes a morte, tereis derramado sangue inocente contra vós mesmos e contra esta cidade e seus habitantes, pois em verdade o Senhor enviou-me a vós para falar tudo isso a vossos ouvidos”. 16Os chefes e o povo em geral disseram aos sacerdotes e profetas: “Este homem não merece ser condenado à morte; ele falou-nos em nome do Senhor, nosso Deus”. 24Jeremias passou a ter proteção de Aicam, filho de Safã, para não cair nas mãos do povo e evitar ser morto. – Palavra do Senhor.  Salmo responsorial 68(69) No tempo favorável, escutai-me, ó Senhor! 1. Retirai-me deste logo, pois me afundo! + Libertai-me, ó Senhor, dos que me odeiam e salvai-me destas águas tão profundas! Que as águas turbulentas não me arrastem, + não me devorem violentos turbilhões nem a cova feche a boca sobre mim! – R.  2. Pobre de mim, sou infeliz e sofredor! Que vosso auxílio me levante, Senhor Deus! Cantando, eu louvarei o vosso nome e, agradecido, exultarei de alegria! – R. 3. Humildes, vede isto e alegrai-vos: + o vosso coração reviverá se procurardes o Senhor continuamente! Pois nosso Deus atende à prece dos seus pobres e não despreza o clamor de seus cativos. – R.   Evangelho – Mateus 14, 1-12Herodes manda matar João o Batista, o profeta da palavra livre e forte, e da acusação corajosa. A palavra dele é assinalada pelo sangue: antecipação daquilo que acontecerá com Jesus, de quem João foi o precursor e que também encontrará a morte por ter falado a verdade.  Aleluia, aleluia, aleluia.Felizes os que são perseguidos por causa da justiça do Senhor, porque o reino dos céus há de ser deles! (MT 5,10) – R.  Proclamação do evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus – 1Naquele tempo, a fama de Jesus chegou aos ouvidos do governador Herodes. 2Ele disse a seus servidores: “É João Batista, que ressuscitou dos mortos; e, por isso, os poderes miraculosos atuam nele”. 3De fato, Herodes tinha mandado prender João, amarrá-lo e colocá-lo na prisão por causa de Herodíades, a mulher de seu irmão Filipe. 4Pois João tinha dito a Herodes: “Não te é permitido tê-la como esposa”. 5Herodes queria matar João, mas tinha medo do povo, que o considerava como profeta. 6Por ocasião do aniversário de Herodes, a filha de Herodíades dançou diante de todos e agradou tanto a Herodes, 7que ele prometeu, com juramento, dar a ela tudo o que pedisse. 8Istigada pela mãe, ela disse: “Dá-me aqui, num prato, a cabeça de João Batista”. 9O rei ficou triste, mas, por causa do juramento diante dos convidados, ordenou que atendessem o pedido dela. 10E mandou cortar a cabeça de João no cárcere. 11Depois a cabeça foi trazida num prato, entregue à moça e esta a levou para sua mãe. 12Os discípulos de João foram buscar o corpo e o enterraram. Depois foram contar tudo a Jesus. – Palavra da salvação.  Oração da assembléia 1. Pela Igreja, para que motive os cristãos a ser comprometidos com o projeto de Jesus, rezemos. AS: Escutai nossa prece, Senhor. 2. Pelo Papa, pelos padres e pelos religiosos, para que sejam fortalecidos na fé e na caridade, rezemos.  3. Pelos justos perseguidos, para que a força do Espírito os torne perseverantes, rezemos.  4. Pelos que se inspiram o exemplo de vida de santo Inácio e pela missão desenvolvida pelos jesuítas, rezemos.  5. Pelo bem que realizamos neste mês, para que produza frutos o ano inteiro, rezemos.  Sobre as ofertasSejam do vosso agrado, Senhor nosso Deus, as oferendas que apresentamos na festa de santo Inácio, para que os sagrados mistérios, fonte de toda santidade, nos tornem verdadeiramente santos. Por Cristo, nosso Senhor.  Antífona da comunhãoDisse o Senhor: Vim trazer o fogo à terra; só desejo que se acenda! (Lc 12,49)  Depois da comunhãoÓ Deus, que este sacrifício de louvor, que vos oferecemos em ação de graças na festa de santo Inácio, nos leve a glorificar-vos eternamente. Por Cristo, nosso Senhor.    Comentário ao Evangelho • O evangelho de hoje escreve como João Batista foi vítima da corrupção e da prepotência do governo de Herodes. Foi morto sem processo, durante um banquete do rei com os grandes do reino. O texto nos traz muitas informações sobre o tempo em que Jesus viveu e sobre como era usado o poder pelos poderosos da época. • Mateus 14,1-2. Quem é Jesus para Herodes. O texto inicia informando a opinião que Herodes tem de Jesus: “É João Batista, que ressuscitou dos mortos; e, por isso, os poderes miraculosos atuam nele”. Herodes tentava entender Jesus a partir dos medos que povoavam sua mente após o assassinato de João. Herodes era muito supersticioso e escondia o medo atrás da ostentação de sua riqueza e de seu poder. • Mateus 14,3-5: A causa escondida do assassinato de João. Galileia, terra de Jesus, foi governada por Herodes Antipas, filho do rei Herodes, o Grande, do ano 04 antes de Cristo até o ano 39 depois de Cristo. No total 43 anos! Durante o tempo da vida de Jesus, não houve mudanças de governo na Galileia! Herodes era o senhor absoluto de tudo, não prestava contas a ninguém, fazia o que lhe passava pela cabeça. Prepotência, falta de qualquer ética, poder absoluto, sem qualquer controle por parte do povo! Mas quem mandava na Palestina, desde o ano 63 antes de Cristo, era o Império Romano. Herodes, na Galileia, para não ser deposto, procurava agradar Roma em tudo. Insistia sobretudo numa administração eficaz que aumentasse as entradas do Império. Sua preocupação era a sua promoção e sua segurança. Por isso reprimia qualquer tipo de subversão. Mateus afirma que o motivo do assassinato de João foi ele tinha denunciado Herodes, porque tinha se casado com Herodíades, esposa de seu irmão Filipe. Flávio José, escritor judeu daquela época, informa que o verdadeiro motivo de João Batista era o medo de Herodes de um levante popular. Herodes gostava de ser chamado de benfeitor do povo, mas na realidade era um tirano (Lc 22,25). A denúncia de João contra Herodes foi a gota que fez derramar o colo: “Não te é permitido tê-la como esposa”. E João foi preso. • Mateus 14,6-12: A trama do assassinato. Aniversário e banquete, com danças e orgias!  Marcos informa que a festa contava com a presença “dos grandes de sua corte, os oficiais e os notáveis da Galileia” (Mc 6,21). É este o ambiente em que se trama o assassinato de João Batista. João, o profeta, era uma viva denúncia deste sistema corrupto. Por isto foi eliminado com o pretexto de um problema de vingança pessoal. Tudo isto revela a fraqueza moral de Herodes. Tanto poder acumulado nas mães de um homem incapaz de se controlar! No entusiasmo da festa e do vinho, Herodes faz um juramento leviano a Salomé, a jovem bailarina, filha de Herodíades. Supersticioso como era, pensava que devia manter este juramento, e responder ao capricho da menina; por isso ordena ao soldado de trazer a cabeça de João sobre um prato e de o entregar à bailarina, que depois o leva à mãe. Para Herodes a vida dos súbditos não valia nada. Disponha deles como usava de qualquer objeto de sua casa. As três características do governo de Herodes: a nova Capital, o latifúndio e a classe de funcionários:a) A Nova Capital. Tiberíades foi inaugurada quando Jesus tinha só 20 anos. Foi chamada assim para agradar a Tibério, o imperador de Roma. Aí moravam o ricos senhores de terras, os soldados, policiais, os juízes muitas vezes insensíveis (Lc 18,1-4). Para esta cidade era levado o dinheiro fruto dos impostos e do trabalho das pessoas. Era aí que Herodes realizava suas orgias de morte (Mc 6,21-29). Tiberíades era a cidade dos palácios do Rei, onde viviam os que vestiam roupas finas (cfr. Mt 11,8). Não se tem notícia que Jesus tivesse entrado naquela cidade. b) O latifúndio. Os estudiosos informam que durante o longo governo de Herodes, aumento o latifúndio prejudicando as pequenas propriedades. O Livro de Henoc  denuncia os donos da terras e expressa a esperança dos pequenos: “Então os poderosos e os grandes não serão mais donos da terra!” (Hen 38,4). O ideal dos tempos antigos era este: “Sentará cada um tranqüilo debaixo da videira e mais ninguém o espantará” (1 Mc 14,12; Mq 4,4; Zc 3,10). Porém a política do governo de Herodes tornava impossível este ideal. c) A Classe dos funcionários. Herodes criou uma classe de funcionários fieis ao projeto do rei: escribas, comerciantes, proprietários de terras, fiscais, agentes aduaneiros, militares, policiais, juízes e chefes locais. Em cada aldeia havia um grupo de pessoas que apoiava o governo. Nos evangelhos, alguns fariseus estão ao lado dos herodianos (Mc 3,6; 8,15; 12,13), e isto espelha a aliança entre poder religioso e poder civil. A vida das pessoas nas aldeias era muito vigiada, seja pelo governo seja pela religião. Era preciso muita coragem para iniciar algo de novo, como fizeram João e Jesus! Era a mesma coisa que atrair sobre si o ódio dos privilegiados, seja do poder religioso seja do poder civil.    Para uma avaliação pessoal • Conheces casos de pessoas que morreram vítimas da corrupção e da dominação dos poderosos? E aqui entre nós, na nossa comunidade e na igreja, existem vítimas do autoritarismo e do demasiado poder?• Herodes, o poderoso, que pensava ser o dono da vida e da morte das pessoas, era um desprezível aos olhos dos grandes e um adulador corrupto diante da menina. Mesquinhez e corrupção marcavam o exercício do poder de Herodes. Compara tudo isso com o exercício do poder religioso e civil hoje, nos diferentes níveis da sociedade e da Igreja.